31
03
2018

Pilates para pessoas com necessidades especiais

postado por Adriana Trotta 1

Quando fui convidada para escrever nesse espaço, pensei sobre o que falar na minha 1ª postagem. Desejei deixar uma boa impressão, escrever algo que despertasse o interesse de vocês, positivo e inspirador, para que pudessem ajudar cada vez mais pessoas. Escolhi compartilhar uma experiência maravilhosa, onde aprendi muito e pude comprovar o quão maravilhoso é o MÉTODO PILATES.

Acredito que todos vocês já devem ter ouvido histórias sobre Joseph Pilates na época da 1ª Guerra Mundial, onde ele ajudou a cuidar dos feridos/amputados de guerra, durante o período em que ficou preso num campo de refugiados na Inglaterra. Pois bem, segundo Benjamin Degenhardt (Profissional de Pilates e Pesquisador) não existe nenhuma prova documentada sobre ele realmente ter passado por essas experiências, no entanto, as belas histórias nos servem de inspiração! Durante minha formação (com Romana Kryzanowska) tive algumas informações teóricas de como usar o Método com pessoas com vários tipos de limitação, inclusive amputados, mas, tudo na teoria.

Eis que um belo dia surge no estúdio uma mulher bonita, simpática e muito alegre! Seu nome era Sueli. Tinha a perna esquerda e parte do pé direito amputados, e gostaria de praticar Pilates! Fui sincera e disse que não tinha nenhuma experiência com amputados, mas, com certeza poderia ajudá-la com o meu trabalho. Ela topou! Usei o que aprendi na teoria durante a formação, li muito sobre o assunto, conversei com colegas Educadores Físicos (assim como eu) e fisioterapeutas, e isso tudo me ajudou a iniciar o trabalho. Além dos princípios do método, alguns conceitos como “manter a caixa” (alinhamento do tronco) e “trabalhar com forças opostas” fizeram com que ela trabalhasse conscientemente  o seu “Power House” e desenvolvesse um centro forte e estável.

No começo trabalhava sempre com a prótese, mas depois de uns 6 meses propus a ela um novo desafio: fazer uma aula sem a prótese. Ela adorou a ideia e contou que se sentia mais livre sem ela. Daí pra frente o trabalho fluiu cada vez mais, eu percebia o quanto ela se tornava mais ágil e forte a cada dia, sem contar nas dores na coluna que foram diminuindo e até sumindo em alguns momentos.

Não sei mensurar o quanto esta experiência me fez crescer profissionalmente e pessoalmente, mas meu desejo é que todos vocês tenham uma oportunidade como eu tive!

Meu conselho: estude muito, construa uma base sólida de conhecimentos para não ter medo de experimentar, e principalmente, tenha  BOM SENSO!

Infelizmente, depois de 3 anos Sueli precisou mudar de cidade por conta do trabalho e não pode continuar as aulas no estúdio.

De presente deixo um pequeno vídeo da Sueli, eu mesma gravei as imagens durante uma aula. Espero que gostem! Ficarei feliz em responder comentários e questionamentos de vocês.

https://youtu.be/uF1z36tpFuY

Sintam-se abraçados!

OBSERVAÇÃO: trabalho somente com o MÉTODO PILATES CLÁSSICO. Embora muitos não saibam, existem muitas ferramentas para adaptarmos os exercícios sem a necessidade de usar outras técnicas ou inventar coisas novas e diferentes.

*Texto publicado no Blog Pilates em 10/11/2015

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postado por Adriana Trotta

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Isabel

Que artigo maravilhoso!

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